Tribuna em Foco

Opiniões merecem destaque!

Uma reflexão…

ivanbilheiro.jpgPara esta segunda-feira pós-Páscoa, uma dica para suscitar reflexões…

A entrevista do médico Patch Adams ao maravilhoso programa Roda Viva:

Clique aqui para ver.

Bom proveito!

segunda-feira, 24/03/2008 Publicado por | Política & Sociedade | Deixe um comentário

Educacionismo e educacionistas: pelo bem do Brasil

ivanbilheiro.jpgPobre dicionário – O Globo: 19/01/2008
Nesta semana, o Canal Brasil exibiu o clássico filme “Jango”, de Silvio Tendler. Nele, percebe-se que as forças progressistas defendiam o voto do analfabeto, mas não a erradicação do analfabetismo. O voto do analfabeto era parte das reformas de base; as outras diziam respeito à propriedade dos meios de produção e à intervenção do Estado na economia. São poucas as referências a transformações sociais diretas: saúde, moradia, água e saneamento, transporte público, educação. A falha não era de Jango, mas da visão importada pela esquerda brasileira, segundo a qual o progresso era efeito direto da economia, e a emancipação do povo e o atendimento das necessidades dos pobres eram conseqüência do crescimento econômico. 

Até Lula chegar ao poder, as reformas defendidas pela esquerda eram as mesmas: controlar o sistema financeiro, opor-se a todo tipo de privatização e ampliar a intervenção do Estado na economia, combater o FMI e o Plano Real, distribuir terra, mesmo que produtiva, e defender o fim de programas como a Bolsa-Escola, chamados de política compensatória.

Mas quando assumiu o governo, a esquerda deu uma guinada: adotou integralmente a política econômica do governo Fernando Henrique e desvirtuou a Bolsa-Escola, transformado-a em programa puramente assistencial, com o nome de Bolsa Família. O discurso tornou-se conservador, e passou a defender políticas compensatórias como carro-chefe e símbolo do discurso progressista. Trocou revolução por generosidade. 

Abandonou as bandeiras anteriores e não adotou novas. Continuou sem perceber que a verdadeira revolução possível e necessária está na garantia de acesso de todos à escola de máxima qualidade. A revolução não está mais em garantir ao operário a propriedade do capital do patrão, mas sim em assegurar que o filho do operário estude na mesma escola que o filho do patrão. 

Além de estar presa ao discurso economicista, nossa esquerda considera esse sonho utópico, impossível. Ela prefere os pequenos gestos políticos e econômicos às decisões fortes, com impacto direto na realidade social. Nos anos 60, garantir voto ao analfabeto era um ato politicamente progressista; mas a erradicação do analfabetismo seria um gesto socialmente emancipador. Hoje, em vez de escola com qualidade para todos, uma política transformadora e emancipadora, prefere-se a política da generosidade, enquanto o crescimento econômico não chega a todos. 

A esquerda já foi abolicionista, desenvolvimentista, socialista, comunista, reformista, nacionalista e internacionalista, mas nunca se assumiu educacionista, como venho propondo. Jamais viu a educação como vetor da transformação social. Palavras como educacionismo e educacionista nem sequer constam dos dicionários. 

A realidade socioeconômica de hoje exige a adoção destes termos: educacionismo, para definir o progresso e a transformação social com base em uma revolução na educação que assegure a máxima qualidade, para todos; e educacionista, para definir aqueles que defendem a necessidade de uma revolução social pelo educacionismo.Educador é o especialista em educação que usa seu conhecimento para formar e transmitir conhecimento; educacionista é o militante político que luta para que todos os habitantes do País tenham educadores competentes em escolas com a máxima qualidade. 

O desenvolvimentismo e o socialismo de hoje consistem no educacionismo: assegurar a mesma chance para todos, por meio de uma revolução educacional no País. Esse é o caminho possível. 

Mas faltam os educacionistas. Faltam os cidadãos, como foram os abolicionistas, capazes de se unir, independentes de sigla partidária, para defender que a revolução é necessária, possível, e que o caminho é a escola igual para todos. Mas como criar uma consciência educacionista, quando o educacionismo nem está nos dicionários? 

Talvez a culpa seja dos pobres dicionários, e não dos líderes sem imaginação que, há 50 anos, preferem defender o voto dos analfabetos a defender a erradicação do analfabetismo. 

Escrito por: Cristovam Buarque – cristovam@senador.gov.br
Em: www.cristovam.com.br

segunda-feira, 10/03/2008 Publicado por | Política & Sociedade | Deixe um comentário

China ultrapassará Estados Unidos em ciências e tecnologia

avatarlc.jpg“É como ter 40 anos de idade e jogar basquete contra um adversário de apenas 12 anos, mas que já tem a sua altura. Você é um pouco melhor do que ele, e tem mais experiência, mas não vai conseguir melhorar muito o seu desempenho. O futuro claramente não parece bom para os Estados Unidos.”

As palavras são do norte-americano Nils Newman, diretor de novos negócios da Search Technology, e servem como resumo dos resultados de um estudo comparativo sobre competitividade dos países mais industrializados.

Em um momento em que a economia norte-americana dá sinais cada vez mais fortes de uma inevitável recessão, a pesquisa chega como um grande banho de água fria para o país. De acordo com o estudo, financiado pela National Science Foundation, a China em breve ultrapassará o gigante rival e se tornará o principal motor da economia mundial, posição ocupada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra.

Os indicadores apontam que a inversão já começou, com os chineses aparecendo em 2007 na liderança no item competitividade tecnológica. O trabalho analisou o desempenho na exportação de produtos tecnológicos em 33 países, combinado com quatro fatores: orientação nacional no sentido da competitividade tecnológica, infra-estrutura socioeconômica, infra-estrutura tecnológica e capacidade de produção.

Os dados foram combinados com análises de especialistas para se chegar aos índices finais. Os Estados Unidos ficaram com 76,1, seguidos pela Alemanha com 66,8 e Japão com 66, mas com a China à frente, com um impressionante 82,8. Ao repetir a análise, mas para dados de 1996, os pesquisadores verificaram que o índice da China era de apenas 22,5, longe dos 95,4 dos norte-americanos, então no auge de seu domínio tecnológico.

“A China mudou completamente o cenário mundial em relação à tecnologia. Pegue manufatura de baixo custo, foque em tecnologia e combine o resultado disso com a crescente ênfase em pesquisa e desenvolvimento e teremos um resultado que, ao final, não deixará muito espaço para os outros países”, disse Alan Porter, diretor do Centro de Política Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Georgia (Georgia Tech), que coordenou o estudo junto com Newman.

A pesquisa também indica que a China ultrapassará em breve os Estados Unidos no desenvolvimento de ciência e tecnologia básica, na capacidade de transformar inovações em produtos e serviços e na eficiência de venda para o resto do mundo.

Embora a China continue sendo encarada por muitos como um fabricante de produtos baratos e de baixa qualidade, o estudo, intitulado High Tech Indicators, mostra claramente que o gigante asiático tem aspirações muito maiores.

“Pela primeira vez em quase um século vemos a liderança em pesquisa básica e na capacidade econômica de buscar os benefícios das pesquisas – ou seja, criar e comercializar produtos baseados em pesquisa – em mais de um lugar no planeta”, disse Newman.

“É uma situação em que temos produtos tecnológicos no mercado mundial que não são desenvolvidos ou mesmo comercializados nos Estados Unidos. Não temos mais envolvimento com eles e até mesmo não sabemos que eles estão sendo lançados”, destacou.

A Georgia Tech tem produzido os High Tech Indicators desde a década de 1980, para tentar avaliar qual país se tornaria o “próximo Japão”, ou seja, o novo adversário dos norte-americanos na economia mundial.

O novo estudo indica que tanto os Estados Unidos como o Japão estão em queda no item competitividade tecnológica, em contraste com o crescimento elevado da China e de outros tigres asiáticos, como Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan. Além disso, se os 27 países da União Européia foram considerados em conjunto, o resultado também deixaria os norte-americanos para trás.

Mas o maior sinal dos novos tempos é que os indicadores mostram que a maior parte das nações industrializadas atingiu uma espécie de equilíbrio. O que não se verifica nos números da China, que sinalizam um avanço sem interrupções nos próximos anos.

Fonte: Inovação Tecnológica

terça-feira, 4/03/2008 Publicado por | Ciências & Saúde, Política & Sociedade, Tecnologia | 1 Comentário

A luta pela educação é a luta pelo Brasil

ivanbilheiro.jpg     Não é segredo para nenhum brasileiro: o caminho para mudar o país passa, sem dúvida, pela educação. É através dela que se pode construir um Brasil melhor.

     Aliás, os termos “educação” e “construção” são claramente próximos. A educação é a construção da sociedade – em um de seus aspectos mais amplos.

     A luta que deve ser travada pela melhora e valorização da educação é a luta para melhorar o Brasil. É uma luta, portanto, pelo país. É a bandeira do povo que se levanta quando se defende uma educação de qualidade.

     Mas, é preciso que se tenha em mente, a luta por esta bandeira – como toda luta – necessita de uma conscientização dos envolvidos. Nesse caso específico, a idéia da qual se deve partir para a defesa da melhora do país através da educação é: a educação só é prioridade quando a sociedade assim exige.

     Isso remete ao fato de se ter, atualmente, um cenário de alarmante desvalorização da educação no Brasil, o que é muito grave. São sintomas desse crime, por exemplo: a desvalorização dos professores – não só no aspecto da remuneração financeira ruim quase generalizada, mas em relação, também, às péssimas condições de trabalho às quais muitos se submetem e à incapacidade de ter uma formação continuada; aceitação de uma imagem da juventude ligada à vagabundagem, em especial quando se encontra na faixa etária escolar; etc.

     Portanto, voltando à idéia base: a educação só é prioridade quando a sociedade assim exige. Naturalmente, então, o passo inicial é fazer com que a sociedade perceba a necessidade da educação para a mudança (posto que já existe a idéia de que é possível e necessário melhorar o país).

     Estudantes devem valorizar seus professores, suas escolas, o conhecimento adquirido no processo, bem como lutar por uma conscientização ampla do valor, propício à mudança, que se encontra tanto na juventude quanto na educação, difundindo a idéia de que, com educação de qualidade, a juventude estará pronta para fazer um país melhor.

     Professores devem lutar por seus direitos, bem como incutir nos estudantes a idéia de valorização da educação, fator importantíssimo para construção de uma base para a mudança.

      À sociedade em geral cabe, também, uma conscientização, sem dúvida. Mas deve-se perceber que essa mudança partirá, claramente, das escolas. Sairá delas a consciência necessária para a real luta pela educação que permitirá a todos os brasileiros, em conjunto, trabalhar na construção de um Brasil melhor.

     Mudar é difícil, mas é possível e necessário! Basta dar o primeiro passo.

segunda-feira, 25/02/2008 Publicado por | Política & Sociedade | 2 Comentários

A democracia está de olho!

ivanbilheiro.jpg     A Justiça Eleitoral tem veiculado, recentemente, em alguns meios de comunicação, propagandas nas quais defende a idéia de que os eleitores precisam estar continuamente atentos aos atos dos políticos nos quais votaram e que foram eleitos nas últimas eleições.
    
Uma boa idéia? Sim. Na verdade, uma ótima idéia. É preciso e importante que algo assim seja divulgado. Entretanto, existe aí um equívoco.

     Uma das belezas dos regimes de democracia representativa – sistema em vigor no Brasil – é a de os eleitores terem plena liberdade de escolher seus candidatos nas eleições. No entanto, finalizado o processo eletivo, os eleitos convertem-se, automaticamente, ao serem conduzidos aos seus respectivos cargos, em representantes de todos. Seus eleitores e os que não lhes deram seus votos. A representação não pode e não deve ter exceções.

     Naturalmente, então, a idéia que deveria ser propagada pela Justiça Eleitoral é a da importância de os brasileiros estarem atentos às ações daqueles políticos que os representam. Não somente daqueles que elegeram.

     Estar de olho nas ações deles é uma forma de garantir que o trabalho feito seja pelo país, conforme deve ser. É também a melhor forma de selecionar os candidatos merecedores de votos nas próximas eleições e de notar aqueles que não cumprem sua função de representar a população e trabalhar por ela.

     Indo um pouco mais além, então, é possível dizer que o acompanhamento contínuo das ações dos políticos, além de ser uma forma de garantir que eles trabalhem pelo país, é uma forma de lutar contra a “demagogia eleitoreira” daqueles que só querem as vantagens dos cargos e que pouco (ou nada) fazem para o progresso do país. Estes, usualmente, aparecem só em ano de eleição, buscando os eleitores desatentos ao cenário político.

     Saber o que é feito com o dinheiro e, mais importante, com o poder dado aos políticos pela população é obrigação de todos. Mais que isso: é direito. Direito adquirido, coisa da qual não se pode abrir mão!

     Quando a propaganda afirma que “O Brasil é tão bom quanto o voto que você colocou na urna”, objetiva chamar os brasileiros à responsabilidade de construir um país melhor. Um acerto incontestável dessa campanha de conscientização.Para cumprir esse objetivo, portanto, acompanhe o trabalho de seus representantes. A democracia está de olho!

segunda-feira, 18/02/2008 Publicado por | Política & Sociedade | 4 Comentários

O barco Brasil

ivanbilheiro.jpgPode parecer difícil para muitos notar tal coisa, mas estão todos no mesmo barco: o governo, a oposição e a população brasileira em geral. O barco, que leva todos estes, juntos, mar a dentro, é o “barco Brasil”. Mas, ainda que seja o mesmíssimo barco, as visões sobre ele e/ou sobre a forma de comandá-lo (naturalmente) divergem: o Governo acha que a não-prorrogação da CPMF foi uma avaria no casco, e já começava a ver a proa afundando. Mas mexeu daqui, cortou dali, aumentou imposto aqui e acolá, e viu chances de o casco estar novamente bom para navegar.

Mas os reparos vão continuar. Seus integrantes já pretendem bradar: “Avançar com toda a força!”. A oposição, do outro lado (do mesmo barco!), acha que a CPMF era uma âncora muito pesada, que só fazia atrapalhar o bom rendimento do “barco Brasil” em seu rumo ao progresso. Lançou-a ao mar assim que pôde. Agora, entretanto, ganhou outro peso para se preocupar, com os “reparos no casco” feitos pelo Governo. Já está se movimentando, e também mostra intenção de bradar: “Avançar com toda a força!”.

A população, afastada das decisões dos comandantes do barco, mas balançando-se com elas, só pode notar uma coisa: com casco avariado ou não, com muito peso ou não, essa viagem só se mostra muitíssimo cara e desgastante. O balançar das ondas, neste barco, faz com que todos fiquem nauseados. O Governo só trocou a CPMF que a oposição descartou por novos aumentos de impostos. Quem não tem seis, pede meia dúzia. A oposição, por sua vez, já se prontifica a lançar mais um “peso” ao mar.

Todos dizem estar trabalhando para que o barco Brasil siga seu rumo. E, nesse balanço das ondas, a população espera ansiosa alguma solução definitiva e benéfica para todos, antes que o barco (que é de todos) comece, realmente, a correr o risco de afundar. Espera que os comandantes descubram que estão todos no mesmo barco. Torce por isso. Os “marinheiros”, segurando-se firmemente no balançar do “barco Brasil”, esperam a solução. Esperam o famoso brado: “Terra à vista!”. Será o anúncio de que o Brasil, enfim, tomou o rumo certo.

segunda-feira, 11/02/2008 Publicado por | Política & Sociedade | Deixe um comentário

A República de Menos-Um-Imposto

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     Mary Del Priore é uma brilhante historiadora e escritora que publicou, recentemente, o maravilhoso livro “O Príncipe Maldito: traição e loucura na família imperial”. Trata, basicamente, das pretensões do neto de D. Pedro II (D. Pedro Augusto, filho de D. Leopoldina) de se tornar o sucessor do avô, vindo a ser D. Pedro III do Brasil, ficando à frente do Terceiro Reinado.

     Na trama, Mary Del Priore mostra a constante tensão entre D. Isabel (a “Redentora”) e o personagem principal, D. Pedro Augusto. Os dois demonstram o desejo de assumir o trono de D. Pedro II após seu falecimento, e ambos trabalham para isso.

     Ocorre que, dadas as condições tensas da família imperial, e da natural divisão dos monarquistas entre aqueles que defendiam D. Pedro Augusto (“pedristas”) e aqueles que defendiam D. Isabel (“legitimistas”), os republicanos se fortaleceram e penetraram por entre a fissura dos monarquistas, podendo então levar o Brasil à República (ou levar a República ao Brasil).

     E por qual motivo estou falando deste livro aqui, onde o tema é Política & Sociedade, o que remete, naturalmente, à atualidade? Porque o Brasil assistiu, recentemente, a um episódio que se assemelha a este.

     Enquanto o governo Lula e sua base se dividiam, se rachavam, tendo de um lado os que apoiavam a prorrogação da CPMF e, de outro, aqueles que eram contra tal prorrogação, a oposição também se fortaleceu, como os Republicanos à época de D. Pedro II e, quando alguns menos esperavam (e enquanto alguns outros já alertavam), derrubaram a proposta de prorrogação.

     O “imposto da saúde”, a CPMF, pode ser comparada à coroa que D. Pedro Augusto e D. Isabel perderam quando se distraíram com as brigas internas. Agora, quem ficou sem “coroa”, foi o governo Lula. Uma coroa de R$ 40 bilhões.

     Naquele período passado, muitos falaram que a República não vingaria, que seria nociva ao país e que era preciso voltar à Monarquia. Agora, muitos dizem que é impossível governar sem a CPMF, que sua supressão acabará acarretando em perdas para todo o país.

     Os Republicanos conseguiram se manter. Agora, vamos ver se o Brasil se sustenta sem a “coroa” da CPMF, com a “República de Menos-Um-Imposto”. Viva o Brasil!

 

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O livro citado é:
DEL PRIORE, Mary. O príncipe maldito: traição e loucura na família imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

segunda-feira, 17/12/2007 Publicado por | Política & Sociedade | 5 Comentários

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