Da ficção se faz a ciência
Terça-Feira passada, eu havia comentado sobre os romances “2001: Uma Odisséia no Espaço” e “3001: A Odisséia Final”, hoje, torno a falar deles, não da forma que gostaria.
Na última quarta-feira, o mundo perdeu Arthur Clarke, aos 90 anos de idade. Cientista, escritor e visionário, um dos maiores de todos os tempos, Clarke atravessava fácil a linha entre a ciência e a ficção.
Clarke formulou três leis que tratam da relação entre o homem e a tecnologia:
1. Quando um cientista distinto (renomado) e experiente (de mais idade) diz que algo é possível, ele está quase certamente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.
2. O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.
3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.
“Aqui jaz Arthur C. Clarke, que nunca parou de crescer”, diz a lápide, baseando-se numa das principais afirmações do autor de mais de uma centena de obras de ficção científica. Tendo previsto inclusive a chegada do Homem à Lua, foi também o idealizador dos satélites artificiais geoestacionários, nos quais se baseiam todos os modelos de telecomunicações atuais. Modesto, dizia que seu artigo, publicado em 1945, devia ter acelerado o progresso da humanidade em uns 15 minutos.
Sua obra de ficção mais conhecida, mas não a melhor, é “2001: Uma Odisséia no Espaço”, que ficou famosa na versão cinematográfica de Stanley Kubrick. Clarke acreditava que o elevador espacial, divulgado por ele em livros e entrevistas, era uma questão de tempo e de se descobrir os materiais adequados. Como também seria uma questão de tempo que a Terra tivesse um governo único e que armas e crimes deixassem de ter serventia para o homem.
A vasta literatura – tanto científica quanto fictícia – de Arthur Clarke, permanecerá alimentando ideías e sonhos por muitos séculos, até que as predições deste grande visionário sejam concluídas. Nos despedimos cientes de sua importância e esperançosos pelo futuro que virá.
Feliz humanidade, de poder contar com um mestre como Arthur Clarke.