Boas festas!
A equipe faz votos de que todos tenham um excelente início de ano e que todas as boas realizações ocorram ao longo deste que se inicia.
Fronteiras tecnológicas – O que esperar em 2008?
Os avanços da ciência e tecnologia parecem não cessar nunca, por isso, quem gosta de tecnologia está sempre com o olhar em direção ao futuro. E não há melhor momento para isso do que a virada de ano. Já comemoramos o natal de 2007 e muitos se preparam para a virada que ocorrerá logo mais. Enquanto isso a comunidade científica continua trabalhando no desenvolvimento do mundo de amanhã. Um futuro apinhado de novidades que se aproxima cada vez mais dos mais abstratos filmes de ficção científica.
Neste artigo, abordarei um pouco do que se pode esperar para o ano que se inicia a partir das zero hora de amanhã.
A passos firmes, segue o planejamento para a TV digital, que muito tem se falado ultimamente. Acompanhando esse marco, os televisores de alta definição começam a despontar como sonhos de consumo da classe média, com as tecnologias de plasma e LCD a preços bem mais acessíveis que há poucos anos e telas bem maiores que as convencionais de 29″. Em 2008 cerca de seis capitais já devem estar operando comercialmente o novo sistema digital, entre elas: Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, segundo o Ministério das Comunicações. Com a tecnologia digital, os consumidores passam a avaliar os televisores semelhantes a uma câmera digital, ou seja, pela quantidade de pixels. Para obter uma imagem em alta resolução – a chamada HDTV (High Definition Television / TV de Alta Definição) – o aparelho deve ter um mínimo de 1280 x 720 pixels. Enquanto uma TV de tubo convencional conta com 480 linhas para formar a imagem, uma HDTV tem pelo menos 720, podendo chegar até 1.080 linhas com resolução de 1920 x 1080 pixels, a chamada Full HD.
Em todo caso, para aqueles que preferem – ou precisam – gastar menos, os conversores ainda são a melhor alternativa.
Acompanhando o ritmo de alta definição, começam a se popularizar também as mídias de alta resolução, tais como o HD DVD e o Blu-ray que começam a conquistar o espaço dominado pelo DVD.
Para o ramo de comunicação pessoal, destaca-se a implantação da tecnologia de celulares de terceira geração. A tecnologia abre alas para o serviço de banda larga nos celulares. Na prática, haverá uma melhora incrível na comunicação de voz e dados e permitirá o acesso à televisão digital (aberta) nos aparelhos, além de videoconferência em tempo real e internet em qualquer lugar. Teremos aparelhos com melhor resolução de tela e serviços interativos que hoje ficam só em sonhos. Imagine poder ver a pessoa com que você está falando, em tempo real? Com o 3G, isso deixará de ser coisa de cinema
Destacam-se também, algumas novidades que podem se transformar em produtos em curto prazo. A descoberta de que o silício na forma de nanofios não se degrada quando utilizado em baterias de lítio é revolucionária. O efeito sobre a durabilidade das baterias de notebooks, telefones celulares e todos os demais equipamentos portáteis poderá ser enorme. Sem contar a possibilidade de se impulsionar a fabricação dos veículos elétricos.
Na medicina, a utilização das nanopartículas de ouro para detecção de certos tipos de câncer também não tem motivos para demorar a entrar em produção. A interação do ouro com o nosso organismo já é bem conhecida e os estudos de toxicidade deverão ficar prontos logo.
Vemos também, fundamentos de algumas tecnologias das quais ainda ouviremos falar muito. O tempo maior que levarão para que se transformem em produto não diminui o impacto que elas deverão ter no campo da eletrônica e da informática.
A primeira é a integração dos raios laser com o magnetismo para a criação de uma nova geração de dispositivos de armazenamento de dados. Os discos rígidos optomagnéticos poderão tornar-se mais um membro da família de dispositivos eletrofotônicos que apenas começam a explorar as possibilidades da luz.
A segunda tecnologia que se destaca nesta categoria de promissoras em longo prazo é a utilização do grafeno para a fabricação de chips. Não é porque precisamos de pastilhas de silício do tamanho de um antigo disco de vinil para fabricarmos os atuais chips que também precisaremos de uma malha de grafeno desse tamanho. Se muda o material, podemos mudar também a técnica.
Falando de investimentos, o governo federal prometeu um aumento nas verbas para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Uma proposta de orçamento de seis bilhões está em votação. De certo modo, o valor pode ser considerado pouco. O Brasil não é um país com histórico de investimento em tecnologia. Mas, este é um valor três vezes maior que há cinco anos. Apesar de ser pouco, é um avanço significativo para um país como o nosso.
Este ano, chegou ao fim. Mas o novo ano que se inicia, continua sua busca pelo aperfeiçoamento tecno-científico, sempre inovando a maneira com que elas afetam as pessoas. Cada dia mais, integrando nossas vidas. Entretanto, devemos aproveitar de maneira saudável os benefícios que esses avanços nos trazem. Devemos dominar a tecnologia, e não ser dominados por ela. Dessa forma, só temos a ganhar com os numerosos avanços tecnológicos que veremos pelos próximos anos. Um ano novo, que seja realmente novo. É o que a equipe do Tribuna em Foco deseja a seus leitores.
Feliz 2008.
A República de Menos-Um-Imposto

Mary Del Priore é uma brilhante historiadora e escritora que publicou, recentemente, o maravilhoso livro “O Príncipe Maldito: traição e loucura na família imperial”. Trata, basicamente, das pretensões do neto de D. Pedro II (D. Pedro Augusto, filho de D. Leopoldina) de se tornar o sucessor do avô, vindo a ser D. Pedro III do Brasil, ficando à frente do Terceiro Reinado.
Na trama, Mary Del Priore mostra a constante tensão entre D. Isabel (a “Redentora”) e o personagem principal, D. Pedro Augusto. Os dois demonstram o desejo de assumir o trono de D. Pedro II após seu falecimento, e ambos trabalham para isso.
Ocorre que, dadas as condições tensas da família imperial, e da natural divisão dos monarquistas entre aqueles que defendiam D. Pedro Augusto (“pedristas”) e aqueles que defendiam D. Isabel (“legitimistas”), os republicanos se fortaleceram e penetraram por entre a fissura dos monarquistas, podendo então levar o Brasil à República (ou levar a República ao Brasil).
E por qual motivo estou falando deste livro aqui, onde o tema é Política & Sociedade, o que remete, naturalmente, à atualidade? Porque o Brasil assistiu, recentemente, a um episódio que se assemelha a este.
Enquanto o governo Lula e sua base se dividiam, se rachavam, tendo de um lado os que apoiavam a prorrogação da CPMF e, de outro, aqueles que eram contra tal prorrogação, a oposição também se fortaleceu, como os Republicanos à época de D. Pedro II e, quando alguns menos esperavam (e enquanto alguns outros já alertavam), derrubaram a proposta de prorrogação.
O “imposto da saúde”, a CPMF, pode ser comparada à coroa que D. Pedro Augusto e D. Isabel perderam quando se distraíram com as brigas internas. Agora, quem ficou sem “coroa”, foi o governo Lula. Uma coroa de R$ 40 bilhões.
Naquele período passado, muitos falaram que a República não vingaria, que seria nociva ao país e que era preciso voltar à Monarquia. Agora, muitos dizem que é impossível governar sem a CPMF, que sua supressão acabará acarretando em perdas para todo o país.
Os Republicanos conseguiram se manter. Agora, vamos ver se o Brasil se sustenta sem a “coroa” da CPMF, com a “República de Menos-Um-Imposto”. Viva o Brasil!
_________________________
O livro citado é:
DEL PRIORE, Mary. O príncipe maldito: traição e loucura na família imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Energia e Vida
Ainda que os biocombustíveis sejam melhores do que os combustíveis fósseis, eles levantam algumas considerações e sua adoção irá requerer cuidados – o uso das terras agricultáveis, o balanço energético como um todo, a substituição de uma oligarquia petrolífera por uma oligarquia agrária, são apenas alguns dos problemas que a próxima geração deverá enfrentar.
Os receios e restrições são muito menores se o enfoque passar para as energias solar e eólica. O problema é que já temos tudo o que é necessário para produzir os biocombustíveis, enquanto as tecnologias necessárias para viabilizar a exploração dos ventos e da luz solar em larga escala ainda estão em desenvolvimento. Parece que teremos mesmo que fazer uma “escala” nos biocombustíveis, para só depois partirmos para fontes verdadeiramente sustentáveis.
A idéia de criar um coletor de energia solar no espaço e enviar a energia captada para a Terra por meio de um raio de microondas, é um meio-termo interessante. As células solares ainda são caras e seu rendimento precisa melhorar. Mas utilizá-las no espaço, onde elas podem captar luz 24 horas por dia, equivale a mais do que dobrar sua eficiência. Ainda assim o motivador principal para a adoção desse mecanismo é estratégico – o custo de levar o equipamento todo para o espaço é gigantesco e não podemos fazer comparativos de custos. O que conta realmente aqui é o impulso que um programa como estes deverá dar para todas as equipes ao redor do mundo que trabalham com o aumento da eficiência das células solares. Colocamos nossos olhos no espaço, fazemos investimentos corajosos e poderemos então, quem sabe, colher os benefícios aqui na superfície, com coletores solares mais baratos e eficientes, mesmo que sujeitos à restrição de funcionarem somente durante o dia.
O outro destaque no campo da energia é para o super gerador eólico, que foi apresentado na semana retrasada durante uma exposição realizada na China. Operando com sustentação magnética, o gerador pode ser construído em escalas muito maiores, com um custo menor e manutenção quase zero.
Mudando de assunto, um outro tema apresentado, que merece ser observado, é a cirurgia virtual. Temos insistentemente chamado a atenção para a importância dos simuladores computadorizados, que estão se integrando às ferramentas de visualização 3-D para produzir ambientes virtuais altamente realísticos. A pesquisa está no início, mas não dependemos de nenhuma descoberta revolucionária para viabilizar as possibilidades dessas novas tecnologias – tudo parece ser uma questão de cérebros criativos e muito trabalho interdisciplinar.
O psicólogo Carl Jung escreveu muito sobre a sincronicidade – uma espécie de coincidência que parece guiar os acontecimentos em várias ocasiões. Estamos vendo o crescimento das preocupações com o uso de animais nas pesquisas científicas. A preocupação tem sentido: Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos de mitologia de todos os tempos, acreditava que a idéia de pecado original nasceu da crise humana ante a percepção de que, mesmo sendo a vida o seu bem mais precioso, só era possível mantê-la destruindo outras vidas. Agora, ao lado do surgimento das preocupações com o bem-estar dos animais, simultaneamente percebemos que já estamos avançando rapidamente em tecnologias que poderão simplesmente dispensar esses sacrifícios. E tem gente que acredita que a humanidade não evolui.
Após crítica, Delegado-geral do Pará deixa cargo
O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, que afirmou que a adolescente que ficou 20 dias presa com homens em Abaetetuba tem “alguma debilidade mental” por não ter dito que era menor de 18 anos, colocou o cargo à disposição do governo do Pará, nesta quarta-feira.
Em pronunciamento, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) disse que ele reconheceu ter “se expressado de maneira inadequada” sobre o caso ontem (27), em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Em comunicado à imprensa, a governadora disse que aceitou o pedido de afastamento do delegado por acreditar que a permanência dele era “insustentável”.
Benassuly disse que a menina “tem certamente alguma debilidade mental pois em nenhum momento ela manifestou sua menoridade penal”, e a declaração teve repercussão imediata.
Carepa reagiu ainda durante a audiência no Senado, dizendo que tentar justificar o caso era “um absurdo”. Em Brasília, ela evitou determinar qual punição iria impor ao delegado. Hoje, disse que deixou para tomar a decisão no Pará. O presidente nacional de OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, criticou o delegado dizendo que ele chegou ao ponto de “dizer que poderia ter acontecido se ela não fosse adolescente”.
Os três delegados envolvidos na prisão da jovem afirmam que ela disse ter nascido em 1987. No entanto, exames apontam que ela tem aproximadamente 15 anos. Para a Corregedoria da Polícia Civil, os delegados foram negligentes por não terem investigado a idade da moça, que ficou 26 dias presa em uma cela com 12 homens. Solta, ela disse ao Conselho Tutelar que sofria abusos sexuais e agressões freqüentes –ela apresentava marcas de cigarro no corpo– e que se prostituiu em troca de comida.
Em comunicado à governadora, Benassuly disse que deixou o cargo por não ter conseguido expressar sua “preocupação e indignação quanto ao estado de saúde, no presente e futuro, da menor que foi destituída de todos os seus direitos como ser humano em uma carceragem na cidade de Abaetetuba”.
Carepa anunciou que o delegado-adjunto da Polícia Civil do Pará, Justiniano Alves Júnior, assume interinamente o cargo de delegado-geral.
Reformas
Carepa anunciou também nesta quarta-feira que a carceragem da delegacia de Abaetetuba será demolida e que, no lugar, haverá um centro de triagem –desta vez com espaços físicos distintos para homens e mulheres.
Outros Estados
Um relatório elaborado por entidades brasileiras de defesa dos direitos das mulheres e entregue à OEA (Organização dos Estados Americanos) em março deste ano aponta que detentas de ao menos cinco Estados –Rio, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Pernambuco– sofrem abusos e não denunciam por medo.
O poder da mente
Pesquisadores da Universidade de Keio, no Japão, estão desenvolvendo uma tecnologia que permite que personagens de mundos virtuais sejam controlados com o pensamento do participante. Eletrodos ligados à cabeça detectam alterações nos impulsos elétricos relacionadas à atividade do cérebro. A informação é interpretada por um computador. Em outras palavras, é só pensar com força em ir para a esquerda e o personagem virtual vira à esquerda.
Os pesquisadores esperam que a tecnologia possa, um dia, ajudar pessoas com paralisia a ter mais liberdade, usando computadores para fazer tarefas apenas com a força do pensamento.
“Quando as pessoas estão paralisadas, é claro que suas vidas ficam limitadas porque não podem usar as mãos e os pés”, diz Junichi Ushiba, pesquisador da Universidade de Keio. “Mas com essa tecnologia, podemos interpretar a intenção delas de se mover, dando oportunidade para que elas abram seus próprios negócios ou falem com outras pessoas na internet.”
Segundo Ushiba, isso ainda está longe de acontecer. Mas espera-se que, no futuro, uma tecnologia semelhante possa ajudar a criar membros cibernéticos controladas apenas com o pensamento.
“Não me expressei bem” – Repercussão de uma debilidade de expressão

“Essa moça tem, com certeza, alguma debilidade mental, porque em nenhum momento ela manifestou sua menoridade”. Com estas palavras, o Delegado–Geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, tentou lançar a culpa da prisão da menor identificada pela mídia como “L” em uma cela com vários homens à própria prisioneira.
Fatos como estes chocam toda a sociedade, inevitavelmente. É reflexo do despreparo de alguns para ocuparem certos cargos.
O sr. Raimundo Benassuly, sim, é um débil, pois apresenta grande debilidade de compreensão da repercussão de suas palavras, em especial neste caso. Além disso, mostra ter uma enorme debilidade lingüística, pois tentou corrigir seu erro com: “Não me expressei bem, nossa preocupação era com o estado psicológico e mental dela. Fiquei preocupado, imagina o que significa ser violada todo dia por vários homens?”.
Seguindo o exemplo da governadora do estado que foi cenário desta barbárie, Ana Júlia Carepa (PT), deve-se repudiar a ação do inconseqüente Delegado-Geral. Um comentário como este seria intolerável saído da boca de qualquer pessoa, mas no cargo que o sr. Benassuly ocupa, isso é totalmente inadmissível.
Saíram lesados do episódio, não só a vítima “L”, bem como a Polícia Civil paraense que, fatalmente, foi representada por este imprudente Delegado – o qual não honra tal representação, muito menos o cargo que ocupa; além, é claro, do próprio Raimundo Benassuly.
A solução? Evitar que pessoas com tal debilidade de compreensão do cargo que ocupam cheguem a ocupá-los. É preciso preparo, é preciso prudência e, acima de tudo, juízo. Coisas que faltam ao sr. Raimundo Benassuly, um débil.