Tribuna em Foco

Opiniões merecem destaque!

Politização – Direito e dever!

avatar3b.jpg     Consta da última edição semanal do Jornal do Senado – Órgão de divulgação do Senado Federal (6 a 12 de agosto de 2007) o registro de uma opinião que atrai a atenção. Na seção Voz do Leitor, aparece:

    “Emprego

    ‘Sou um trabalhador desempregado e gostaria que o governo oferecesse novas áreas de trabalho, proporcionando assim uma vida digna para todos os brasileiros.’

    José Aparecido Alves, de Tanque Novo (BA)

    Observa-se aí um forte e violento indício de uma grave enfermidade da qual sofre boa parcela da população brasileira: o desconhecimento das reais funções dos poderes, bem como dos processos de governo/legislação e, conseqüentemente, o ataque com críticas míopes e equivocadas, em grande parte.

    Fernando Henrique Cardoso, que governou o Brasil durante oito anos consecutivos, em sua obra Cartas a um jovem político, fornece a base que permite a constatação da inexatidão na qual incorre a opinião acima citada:

    “[...] seja realista, e muito prudente, quanto ao poder dos governos hoje em dia. O governo não deve dizer, por exemplo, ‘vou criar tantos milhões de empregos’, porque ele simplesmente não pode criar tantos milhões de empregos. Quem cria empregos não é o governo, é a economia. E a economia depende do governo apenas em parte – há uma grande parte que depende do mundo, das empresas, das ações de milhões de indivíduos, de um número imenso de fatores. Mas a população pensa que tudo depende só do governo. É por isso que o candidato, quando está em campanha, procura atender o anseio da população dizendo que vai melhorar tudo. Os dois estão errados, candidato e população, quando esta pensa e aquele deixa acreditar que o governo pode tudo.

    Como se percebe, existe uma idéia fixa no senso comum e amplamente aceita pela população brasileira: o governo pode tudo, e a ele cabe solucionar todos os problemas do país.

    Mas essa incoerência recai, também, sobre o legislativo. Muitos crêem que seus eleitos vereadores e deputados estaduais (os congressistas são menos atingidos) poderão gerar empregos ou tomar iniciativas do tipo.

    O conhecimento é pressuposto da cobrança, e esta seria, sem dúvida, um ótimo ingrediente novo para o cenário político brasileiro.

    Politização é uma meta que deve ser buscada por todos, considerando que a política faz parte do cotidiano de todos, independente de qualquer coisa. Conhecer os mecanismos e métodos utilizados pelos poderes executivo e legislativo (e até o judiciário, é claro) é dever de todos e, mais que isso, é DIREITO de todos!

    Entre os fatores que permitem que certos políticos coloquem em primeiro plano, sobre todas as questões do cargo que ocupam (necessidades da população), seus próprios interesses está o desconhecimento geral dos eleitores sobre as formas de trabalho destes. A politização geraria uma melhora no cenário.

    Neste caso, em especial, o jogo (ou a jogatina) termina quando as luzes (do conhecimento) se acendem!

_____________________________________________

    Um acontecimento digno de nota:
O Senador Fernando Collor (ex-presidente do Brasil) é autor de um Projeto de Emenda que instituiria o sistema Parlamentarista de governo no país. É o PEC 31/2007.
Informe-se a respeito, e opine!
Site do Senado Federal: www.senado.gov.br

segunda-feira, 20/08/2007 - Publicado por | Política & Sociedade

11 Comentários »

  1. Realiza comigo: o governo absorvendo toda a massa de desempregados do país. E os empregados, então, juntando seu salário para sair daqui, porque o país quebraria sem dúvida.
    Opiniões assim são comuns, e o FHC (apesar de seu governo) é um bom intelectual e soube colocar bem a situação em suas palavras.
    Tocou num ponto muito importante, Ivan. A politização é imprescindível! Parabéns!

    Comentário por Elis | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  2. Tem razão, Ivan! Realmente, é muito importante conhecer os métodos de ação de cada um dos três poderes… A politização é, de fato, fundamental!

    Parabéns pelo post! Muito bom, como sempre!

    Comentário por Mariana Corrêa | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  3. Vale destacar que a visão errônea das funções dos poderes públicos, deve-se em grande parte ao ensino de baixa qualidade das escolas públicas. Possuímos uma grande massa proletária ignorante no tocante à cultura não-popular. Falta conscientização. Deveriamos sim, trazer de volta os tempos antigos, onde se aprendia a base da política e da sociedade brasileira nas escolas. Estudávamos leis, estudávamos as regras presentes na Constituição Federal, que regem a nossa vida, mesmo que não saibamos.
    Hoje, essa matéria foi retirada de nossas escolas, estamos crescendo alienados, estamos crescendo sem saber sobre nosso país, e isto, é realmente uma pena.

    Comentário por Carlos Colen | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  4. Já li também o livro citado de Fernando Henrique.
    E, realmente, não há como não concordar com o post.
    Sou também mais um que levanta a bandeira da politização, e acredito ser esse um caminho para a solução de muitos problemas do Brasil.

    Comentário por Marcos | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  5. Caro Ivan,

    Quero lhe cumprimentar belo assunto politização. E ainda a propósito deste tema, gostaria de complementar, que a politização sem dúvida é algo que deveria ser mais íntimo do cidadão brasileiro, mas de uma forma natural, justamente pra evitar os ‘bordões’ como o do baiano José Alves, tão bem citado no seu texto.

    O brasileiro em geral tem essa deficiência de achar que a política é uma coisa ruim, por isso a menospreza tanto; mais fácil falar que os políticos são ladrões do que procurar entender como isso funciona de verdade; assistir o jornal nacional, e escutar os velhos ‘chavões’ de diversos temas da política, e tudo isso de uma maneira ‘pasteurizada’, velha e depois ‘mandar’ a frase: – Político é tudo ladrão !!!’…’…A violência ta aumentando cada dia mais !!!’. Ora, a violência só aumentou pra mídia, visto que ela sempre existiu – sem desmerecer o JN, que tem suas excelências também, claro – o fato é que agora descobriram que ela aumenta a audiência de forma considerável.

    Eu ainda acho que o processo de politização será lento e gradativo, na medida em que as pessoas começarem a entender que a política é uma coisa boa, e foi feita pra usar em benefício do povo. E ao contrário, acho que mais do que direito é sim DEVER – especialmente ao público formador de opinião – já que todos adoram cobrar, mesmo: comprando CDs piratas, sonegando impostos, e sempre dando desculpas pra isso (que é o caso de boa parte). É o que chamo de descalabro ético; mas isso é outro assunto…

    Agradeço o convite. E mais uma vez, parabéns a todos pela discussão.

    Grande abraço,
    Junior Produtor

    Comentário por Junior Produtor | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  6. …outro ponto a ser observado é se é que realmente a politização está ligada a escolarização do povo. Não sei se a baixa qualidade de ensino no País seria o fator de tanta despreocupação não; acho que isso ta mais ligado ao interesse próprio de cada cidadão.

    Claro, que do ponto de vista pensante, natural que quem é mais instruído têm técnicas mais aprumadas de envolvimento nesses tipos de assunto. Vale dizer que o fundamento da politização é POLITIZAR e não ELITIZAR !

    Abs,
    _

    Comentário por Junior Produtor | segunda-feira, 20/08/2007 | Responder

  7. não entendi nada sobre politização tenho umaprova e nao acho de geito nenhum isso
    hóooooooooooooooo merda só
    !!!!!!!!!!!!!
    kkkkkkkkkk

    Comentário por eu | segunda-feira, 23/03/2009 | Responder

  8. É, Ivan, falar de política é um assunto bem complicado porque há muita contradição. Quando o povo quer alguma melhoria, ele ataca ao governo exigindo seus direitos. Porém, será que esse mesmo povo sabe REALMENTE quais são seus direitos? Para chegar e “botar a boca no trombone” é muito fácil, mas e quando há a seguinte pergunta: O que é politica pra voce? O povo diz sempre a mesma coisa, “Isso é coisa pra quem entende do assunto”, “Pra quê, nada vai mudar..”, “Os politicos só prometem e nada cumprem” ou até mesmo ” Basta cada um fazer sua obrigação para dar tudo bem ” , é logico que há outros motivos como pouco tempo pra leituras, preguiça, falta de informação, ou falta de recursos financeiros, ou seja, obstaculos que dificultam cada vez mais a politização. E uma coisa interessante em um dos posts acima é que deveria haver sim a volta do ensino sobre a politica, pois na medida que este fosse feito, muita coisa resolveria nesse nosso país. Porém o governo, infelizmente, nao quer uma população pensante , pois seria uma grande ameaça. Tá aí, uma contradição.

    Comentário por Millena | terça-feira, 25/08/2009 | Responder

  9. A POLITIZAÇÃO é uma doutrina, cuja meta é a urna. Em frente a urna, se este cidadão for POLITIZADO, votará pela RAZÃO. Já o DESPOLITIZADO votará pela EMOÇÃO.Como os despolitizados são maioria, ganha o voto da EMOÇÃO.Como os partídos e seus candidatos são despolitizados, vamos ter um governo despolitizado, governando para uma povo massisamente despolitizado. Considerando que a política é uma destruidora de caráter,todos passam a ser governados por pessoas sem caráter e sem hombridade. Culpados dessa situação que se repete a cada eleição. Primeiro: os descaracterizados e despolitizados políticos, que não tem interesse em se politizar. Segundo: o despolitizado e pobre eleitor brasileiro, que são se politiza . As urnas serão, mais uma vez, nesta eleição de 2010, o retrato fiel dessa triste realidade brasileira.
    Atenc.
    Alexandre Ataíde Neto, Belém-Pá

    Comentário por Alexandre Ataíde Neto | terça-feira, 10/08/2010 | Responder

  10. Quando olhamos para a história, não fica dificil perceber a semelhança que há, entre a politica de hoje, com a politica do pão e circo do império romano. Que tinha como objetivo, o entretenimento e o postergamento da ação dos pobres na politica. Politizar as massas é de suma importância para o desenvolvimento de uma pilitica igualitária, onde nem o direito, nem o dever seja negligenciado pelos nossos representantes.

    Comentário por Sergio | segunda-feira, 14/11/2011 | Responder

  11. Caro Ivan,
    Também concordo contigo em relação à despolitização da maioria da população brasileira e, considerando que a maioria é “gente humilde” como diz uma canção de Chico Buarque, acredito que o remédio para a “grave enfermidade” que você expõe pode representar uma também grave ameaça para uma minoria que se fortalece com a despolitização do povo, ou seja que leva muita vantagem nessa “despolitização”. Seria mesmo um ato suicida para muitos que se afirrmam “políticos”, sejam eles de profissão (os seres que nos representam) ou por opção quase “voluntária” (aqueles que contribuem significativamente e financeiramente com determinado candidato para uma representação mais individualizada). Acredito que a “grave enfermidade” não está representada na colocação simples, porém acertiva do Sr josé, nordestino, desempregado porém trabalhador como ele mesmo se identifica. Simples por não entender todo o “organograma” que sustenta o Estado. Acertiva por que confiou suas expectativas numa constatação lógica: quem tem o poder de regular e criar condições legais para gerência da economia do país é o governo. Não sei se alguém, ou se você mesmo pode concordar com isso, mas a politização da população esbarra na nefasta desigualdade social brasileira. A “enfermidade” não se limita a conhecer os poderes estatais, mas sim em como uma minoria abastada utiliza e muito bem esses poderes para “esculhambar” com a nossa cara! Os gastos do governo com juros da dívida pública ultrapassam 250 bilhões!!! Quem quer se arriscar em produzir (e com isso gerar emprego, renda…) num país que paga uma rentabilidade de 12% de juros! Só para caracterizar: “Sou um empresário e tenho uma grana para fazer uma fábrica. Se construo a fábrica estarei sujeito a todas as mazelas do mercado econômico global, toda a voracidade dos monopólios, oligopólios, Corporações, etc.. mas, por outro lado tenho o governo que aceita meu dinheiro e me para 12% de juros sem que eu tenha qualquer dor de cabeça? Correr risco de quebrar, falir ou comprar títulos do governo? O que você faria? Onde está as verdadeiras causas do desemprego??? Na gerência realizada pelo governo em contemplar interesses de uma minoria, os verdadeiros “donos do mundo”. Quem está enfermo não é o Sr. José, nem tão pouco a população que esconhece a complicada organização capitalista mundial…. os enfermos são os que se enfeitiçaram por dinheiro, pelo poder, e são esquizofrênicos que acreditam que a riqueza pode ser levada para o além… falei do Chico Buarque, então encerro com Paulinho da Viola: “nunca farei parte desse enorme batalhão, por que sei que além de flores, nada mais vai no caixão…”
    Grande abraço! Gostei da postagem!!! Um Brasil mais justo se resumiria num Brasil masi politizado, com certeza!!!

    Comentário por Marcos | quarta-feira, 21/03/2012 | Responder


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